Vinhas a caminhar na minha rua com o teu ar muito calmo, sem
pressas e com o teu ritmo melódico.
Paras-te! Algo te prendeu a atenção… Ficas-te imóvel durante
quase 3 minutos, mas sempre numa posição elegante. Continuas a percorrer a rua
à procura de um bom lugar para descansar. Vejo-te aqui de cima, aqui da minha
varanda e pareces muito menos superior. Achas-te sozinho porque não me
consegues ver… Sempre ouvi falar de ti como um ser orgulhoso, independente e
viajante. Mas não… afinal não és assim, posso até dizer que me identifico
contigo. Por breves instantes deixas cair essa tua máscara de “senhor” e
simplesmente te deitas sobre o muro e aproveitas cada raio de sol como se fosse
o último e tornas-te o ser mais comum à face da Terra.
Agora pergunto-te, não seria mais fácil deixarmos cair todos
os nossos “eus” falsos e sentir o chamamento do batimento humano? ...
Bem, deixo-me de questionar e vou apenas juntar-me a ti e
desfrutar desta simplicidade que tanto nos toca, gato.
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