quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Mudanças

Nunca gostei de mudanças. Quer dizer, gosto, gosto muito, mas se as fizer acompanhada. Mas nesta altura da minha vida estava “sozinha”. É engraçado como se consegue estar sozinha no meio de tanta gente, mas pronto já me estou a dispersar demasiado. Mas não era a mudança que me assustava, não era ter de enfrentar novas pessoas, quer dizer talvez me assusta-se um bocadinho, mas e o resto? E as amizades que tinha construído ao longo destes anos? O que seria delas? Todos me diziam que não se iria perder nada, que nos continuaríamos a apoiar e a passar tempo juntos, e que nada mudaria bastava nós querermos. Pois muito bem… Um ano lectivo começou e o que mudou? Não fui apenas eu que mudei de turma, foram todas as pessoas a quem eu chamava amigos, aquelas pessoas que me conheciam… mas que conheciam o meu ser mais íntimo, todos os meus problemas, toda a minha história de vida, todos os meus erros. Todos eles sabiam que era difícil para mim largá-los, porque sim eu quando gosto, gosto de uma maneira inexplicável. Para mim “amigos” são tudo! E onde estavam eles? Não me venham com tretas, ao dizerem que não estavam presentes porque os horários não são compatíveis ou que tinham de me dar espaço para eu me integrar melhor na nova turma; amigos que são amigos não nos fazem o que me fizeram! Os tais só tinham de lá estar… dar-me uns bons dias como sempre o fizeram, perguntar como eu me estava a adaptar, perguntar como é que eram as pessoas com quem eu iria travar uma nova amizade, mas não! Não estiveram lá. Desapareceram… Como é possível que de um momento para o outro, num abrir e fechar de olhos todos se deixem de importar?! Eu não sou assim, não consigo ser assim, não consigo deixar de me importar com as pessoas de quem gosto. Porque será que eles foram? Dói… dói tanto! Sempre que penso escorre uma lágrima no meu rosto como neste momento está a escorrer. “Desapareceram”, é a única palavras que me ocorre para qualificar o que aconteceu. Deixar de falar a uma pessoa, passar na rua e nem um “olá” serem capazes de dizer… E tudo o que passei com eles? Onde ficou tudo isso? Para mim continua bem presente! E vai estar sempre porque com isto tudo aprendi que a maioria das pessoas não é o que parece e que nós apenas temos de esquecer e guardar o que é bom de recordar, porque mais nada vale a pena ser guardado, infelizmente. 

(É apenas um desabafo momentâneo)

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