Caminho
à beira da estrada, num silêncio que me faz pensar constantemente em ti. Tento
encontrar um pensamento que não me deixe perdida, procuro respostas para este
sentimento que não me deixa imune a ti, aproveito este impulso de te beijar sem
ter que observar o relógio, sem ter que saber daquele mundo lá fora. Aqueles
momentos eram o nosso mundo. Ouvir um “amo-te” da tua voz, soava como uma
melodia que me fixava em ouvir sem me cansar. Olhar-te e não ter que dizer que
não sou merecida de te ter. Cheirar-te e não ter de dizer que esse teu cheiro
permaneceu em mim ate ao último minuto em que fui embora.
Sim, não importava o
tempo, não importa a demora dos nossos beijos, não importa a rapidez de tantos
passos ao longo do dia. Dar-te a mão fez-me segura, fez-me dar um sorriso
escondido no meu rosto. Contigo a meu lado, fixo a simetria da tua face e
apercebo-me que por fim me completas, mas isso não é preciso dizer, apenas
sinto e espero que tu também.
Por vezes digo a mim mesma que sinto medo por ter
de te ver partir, como outros outrora vi. Medo de chegar a altura de não ter o
objectivo de te amar, medo de olhar para os teus olhos e achar um vazio, medo
de ouvir a razão de um “acabou”, medo de deitar mais uma lágrima no amor
perdido. Numa alma que deu e deixou de dar significado, num espírito que se foi
perdendo na pureza que nos unia. Peço que este medo deixe de invadir o meu
próprio batimento, que me deixe guardar estas recordações para me manter
consciente de que sem amor nada vai resistir à dor.
Ter que abrir os olhos
sendo obrigada a voltar a ver que tu não estarás a meu lado, tudo à minha volta
morre. Não, simplesmente não imagino mais pensamentos destes. Lamento, mas
prefiro nem sequer pensar que isto terá um fim. Lamento se me quero iludir, não
tenho força para aguentar de novo a partida. A tua partida. Se há noite e dia,
e se eles se completam, porque é que eu teria de deixar de te ter comigo se
completas a minha vida? Agora, tiro a vontade desses pensamentos negativos
voltarem a preocupar-me e mudo de opção.
Vou voltar e correr para os teus
braços e o vento nos libertará de saber as respostas do futuro, apenas o sol se
abrirá em cima de nós e nos irá trazer a maior felicidade possível. Sim é
agora, vamos voar no nosso mundo…
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